Carlos Drummond de Andrade
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domingo, 3 de janeiro de 2021

Feliz Ano Novo


Receita de Ano Novo 
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir a ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade



sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Feliz Natal!!!

                       É NATAL OUTRA VEZ...

É Natal outra vez!

Mas será que o Natal só acontece no dia 25 de dezembro?

Creio que não.

É NATAL...

Sempre que em alguma parte do mundo nasce e renasce o amor!

É NATAL...

Sempre que nos colocamos a serviço da justiça, do amor e da paz!

É NATAL...

Sempre que abrimos a porta do de nosso coração aos que sofrem.

É NATAL...

Sempre que perdoamos a quem nos feriu, nos ofendeu e nos machucou!

É NATAL...

Sempre que a compreensão e a caridade nos tornam irmãos!

É NATAL...

Sempre que batalhamos pela verdade, sem negociar com a mentira.

É NATAL...

Sempre que renunciamos ao egoísmo!

É NATAL...

Sempre que sorrimos para alguém mesmo quando estamos cansados!

É NATAL...

Sempre que enxugamos uma lágrima nos rostos atribulados.

É NATAL...

Sempre que estendemos a mão a quem nos pede ajuda!

É NATAL...

Sempre que agradecemos a Deus o dom da vida!

É NATAL...

Sempre que buscamos alguém para chamá-lo de irmão e tratá-lo como irmão!

É NATAL...

Sempre que deixamos Jesus nascer em nosso coração!

É NATAL...

Sempre que ajudamos Jesus nascer no coração de alguém!

FELIZ NATAL...SEMPRE!

 Hilda Bisaggio

 Feliz natal à todos com quem compartilhamos esse Blog,em tempos tão difíceis; mas que tenhamos fé e resiliência para vencer, e esperar por tempos melhores.

                   

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Poema: Memória

 



Em "Memória", o sujeito poético confessa que está confuso e magoado por amar aquilo que já perdeu. Por vezes, a superação simplesmente não acontece e esse processo não pode ser forçado.

A composição fala daqueles momentos em que continuamos amando mesmo quando não devemos fazê-lo. Movido pelo "sem sentido / apelo do Não", o sujeito insiste quando é rejeitado. Preso ao passado, deixa de prestar atenção ao tempo presente, aquilo que ainda pode tocar e viver. Contrariamente à efemeridade do agora, o passado, aquilo que já terminou, é eterno quando se instala na memória.

adjetivo de dois gêneros
  1. 1.
    que se pode tanger, tocar; sensível, tocável.
  2. 2.
    que se percebe pelo tato; corpóreo, palpável.




quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Poema: Traduzir-se

 

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.


Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

                          (Ferreira Gullar. Os Melhores Poemas de Ferreira Gullar.)

 

Reflexão

Nós temos Luz dentro de nós e ela deve ser explorada todos os dias, mas também temos sombras que devem ser enfrentadas, encaradas e resolvidas para não obscurecer o nosso caminho.

Não é um processo nada fácil… passar por momentos de medo, tristeza, se sentir sozinho ou perdido é aterrador, mas são momentos inerentes ao crescimento.

Aprendemos muito com nossa sombra, quando conseguimos superar esses momentos e aceita-la como parte de quem somos, a força e a resiliência que resulta dessa batalha é uma recompensa inestimável.

Temos sim o direito de caminhar em direção à felicidade, mas não esqueça que seus defeitos, seu lado negativo, também é parte do seu ser e essa parte precisa ser trabalhada com mais atenção e aceitação… O objetivo? na minha opinião é o equilíbrio pleno que há entre essa dualidade interior. Quem caminha pelas veredas do autoconhecimento sabe que essas batalhas são necessárias e não tem coisa melhor que seguir essa caminhada em equilíbrio consigo mesmo.

 

Ferreira Gullar

 Ferreira Gullar foi poeta, jornalista, crítico de arte e precursor do movimento neoconcreto no Brasil.

Por meio de uma literatura experimental, radical e engajada, Gullar é considerado um dos maiores escritores brasileiros do século XX.

Fez parte da Academia Brasileira de Letras (ABL) a partir de 2014, sendo sétimo ocupante da cadeira n.º 37.

Saiba mais sobre Ferreira Gullar e seus poemas no site:

https://www.todamateria.com.br/ferreira-gullar/




segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Poema: Saber Viver

 

 

      

Saber viver

 

Não sei… se a vida é curta
ou longa demais para nós,
mas, sei que nada
do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
o colo que acolhe,
o braço que envolve,
a palavra que conforta,
o silêncio que respeita,
a alegria que contagia,
a lágrima que corre,
o olhar que acaricia,
o desejo que sacia,
o amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não
seja nem curta, nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira,
pura enquanto ela durar…

 

                      Cora Coralina


  


                                                                    Biografia

Ana Lins dos Guimarães Peixoto (20 de agosto de 1889 - 10 de abril de 1985) era o nome de batismo da poetisa Cora Coralina, uma brasileira que começou a publicar os seus trabalhos quando tinha 76 anos.

Em termos literários, é espantoso como uma mulher que cursou até a terceira série do curso primário tenha criado versos tão preciosos.

Para ganhar a vida, Cora Coralina trabalhou como doceira enquanto levava a escrita como um hobby paralelo. A poetisa chegou a ser convidada para participar da Semana de Arte Moderna, mas não pôde se juntar aos seus pares devido às limitações impostas pelo marido.

Sua poética é baseada numa escrita do cotidiano, das miudezas, e é caracterizada por uma delicadeza e por uma sabedoria de quem passou pela vida e observou cada detalhe do caminho. Em resumo: a lírica de Cora é impregnada da história que a doceira viveu.

Apesar do início tardio na carreira literária, Cora Coralina é dona de uma produção consistente e tornou-se uma das mais celebradas poetas do país. Seus versos ganharam fãs mundo afora e a lírica goiana, sutil e ao mesmo tempo poderosa, vem sendo cada vez mais divulgada.

 SAIBA MAIS:

https://www.culturagenial.com/cora-coralina-poemas-essenciais/

 

                         

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Poetas Brasileiros

 

Poema de hoje:

                   Soneto de Fidelidade

 

 

De tudo, ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento 

Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento 

E assim quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 

Eu possa lhe dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes


                    

                             Grandes Poetas Brasileiros

O universo da poesia brasileira é extremamente rico e multifacetado, atravessando vários séculos e correntes de escrita com contextos e características muito diferentes.

Entre a infinidade de autores nacionais que produziram versos, selecionei 25 poetas famosos e icônicos, que continuam sendo lidos e amados tanto no Brasil como no exterior.

1-Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)

2-Cora Coralina (1889 – 1985)

3Vinicius de Moraes (1913 – 1980)

4. Adélia Prado (1935)

5. João Cabral de Melo Neto (1920 – 1999)

6. Cecília Meireles (1901 – 1964)

7. Manoel de Barros (1916 – 2014)

8. Manuel Bandeira (1886 – 1968)

9. Hilda Hilst (1930 – 2004)

10. Machado de Assis (1839 –1908)

11. Ferreira Gullar (1930 – 2016)

12.Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977)

13. Mario Quintana (1906 –1994)

14. Ana Cristina Cesar (1952 – 1983)

 15. Paulo Leminski (1944 – 1989)

16. Alice Ruiz (1946)

17. Gonçalves Dias (1823 – 1864)

18. Castro Alves (1847 – 1871)

19. Pagu (1910 – 1962)

20. Augusto dos Anjos (1884 – 1914)

21. Gregório de Matos (1636 – 1696)

22. Gilka Machado (1893 – 1980)

23. Olavo Bilac (1865 – 1918)

24. Ariano Suassuna (1927 – 2014)

25. Conceição Evaristo (1946)

 Se quiser saber mais sobre estes poetas e seus poemas acesse o link do site abaixo:


 https://www.culturagenial.com/poetas-brasileiros-fundamentais/

 


segunda-feira, 13 de julho de 2020

Poema: ACREDITE ( Bráulio Bessa)

Acredite




Acreditar é ter fé
naquilo que ninguém prova.
É dispensar a certeza
que geralmente comprova.
Pois a dúvida é uma dívida
e a conta só se renova.


Acredite no improvável,
acredite no impossível,
enxergue o que ninguém vê,
perceba o imperceptível
e enfrente o que, para muitos,
parece ser invencível.


Acredite em você,
na força da sua fé,
nas vezes que você teve
que remar contra a maré.
Cada “não” que alguém lhe disse
deu forças pra que surgisse
um desejo de provar
que quando a gente tropeça
se levanta e recomeça
sem parar de caminhar.


Acredite em tudo aquilo
que lhe torna diferente
em tudo que já passou
e no que vem pela frente.
Acredite e seja forte,
não espere pela sorte,
não espere por ninguém,
pois de tanto esperar
você pode estacionar
e deixar de ir além.


Acredite e não se explique
pois poucos vão entender:
só se compreende um sonho
se o sonhador for você.
Há quem possa lhe animar,
há quem possa duvidar,
há quem lhe faça seguir.
Mas não descuide um segundo
pois muita gente no mundo
quer lhe fazer desistir.


Acredite, pense e faça,
use sua intuição,
transforme sonho em suor,
pensamento em ação.
Enfrente cada batalha
sabendo que a gente falha
e que isso é natural,
cair pra se levantar,
aprender pra ensinar
que o bem é maior que o mal.


Que primeiro a gente planta
e só depois vai colher.
O roteiro é sempre este:
lutar pra depois vencer.
E que a arma mais potente
seja sempre a sua mente
munida só de bondade.
Se você não se entregar,
dá até pra acreditar
nessa tal humanidade.


Enfim, acredite em tudo
que é bom e lhe faz bem.
Acredite, inclusive,
no que lhe faz mal também,
já que, pra se proteger,
é preciso conhecer
o que vai se enfrentar.
Que você nunca se esqueça:
Não importa o que aconteça
Não deixe de ACREDITAR!
Bráulio Bessa




quarta-feira, 24 de junho de 2020

Poema de Drummond


Congresso Internacional do Medo



Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade   
"Congresso Internacional do Medo" assume uma temática social e política que espelha o contexto histórico da sua criação. Depois da Segunda Guerra Mundial, uma das questões que mais assombrou poetas e escritores foi a insuficiência do discurso perante a morte e a barbárie.
Esta composição parece refletir o clima de terror e petrificação que atravessava todo o mundo. Esse sentimento universal se sobrepõe totalmente ao amor e até ao ódio, criando a desunião, o isolamento, a frieza "que esteriliza os abraços".
O sujeito pretende expressar que a humanidade ainda não superou todo o sofrimento a que assistiu, sendo assombrada e comandada apenas pelo medo e esquecendo todas as outras emoções.
A repetição ao longo de todo o poema parece sublinhar que essa insegurança constante, essa obsessão, levará os indivíduos à morte e se perpetuará depois deles, em "flores amarelas e medrosas". Assim, Drummond reflete acerca da importância de nos curarmos, enquanto humanidade, e reaprendermos a viver.


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Poesia X Poema


Poesia X Poema



Poesia
Apesar de muitos acharem que poesia é um gênero literário, na verdade, esse termo se refere a uma expressão artística, uma forma de manifestação de sentimentos. Por isso, não há nenhum padrão que imponha o seu significado. Ela pode estar presente em textos, esculturas, músicas ou até mesmo em quadros. Qualquer forma de arte é poesia.
 Assim, não há nenhuma estrutura textual pré-determinada para definir o que é poesia, apesar de comumente ser confundida com poema e o autor ter total liberdade para compor algo que seja composto por versos ou não. 
Poema
Já o poema é um gênero textual em que, comumente, é a forma escrita da poesia. Nele, é necessário ter uma estrutura mais definida e que, apesar de poder variar extensão, deve ser composta por versos e estrofes (conjunto de versos) ou de uma prosa, conhecida como prosa poética. 
Para passar a poesia, o poema pode ter ou não rima e ritmo, além disso há a liberdade de utilizar a linguagem necessária para comover o leitor e mostrar os sentimentos intencionados pelo autor. 
Exemplo de poema:
Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade, 1940.




Tipos de poemas: Rima, Métrica e Estrofe


O poema é um gênero literário em que o conteúdo é disposto em estrofes e versos, que podem ou não conter rima.
Ao longo do tempo, esse gênero literário ganhou formas e expressões diversas, tornando-se, ainda, insumo para composições musicais, traço típico do trovadorismo, um estilo presente entre os séculos XI e XIV no continente europeu.
Identifica-se um poema pela sua estrutura, formada por versos e estrofes. Cada linha de um poema é um verso. Cada conjunto de versos forma uma estrofe separada das demais.
Um poema pode ter somente uma ou várias estrofes, que podem ser simples, quando os versos possuem a mesma medida; composta, quando os versos possuem medidas distintas, e livres, quando não há qualquer rigor métrico.


Métrica
A métrica é um fundamento formal do poema, podendo ou não ser rigorosa.
Alguns autores medem o tamanho dos versos, procurando conferir rigor estético e ritmo harmonioso. Esse é um traço de diversas correntes poéticas, como o simbolismo, que teve no Brasil o poeta Cruz e Sousa como seu maior expoente.

As métricas de versos mais comuns são:
– Redondilha menor – cinco sílabas;
– Redondilha maior – sete sílabas;
– Decassílabo – dez sílabas;
– Alexandrino – doze sílabas.
Quando não segue uma métrica, os versos são chamados de “versos livres”.

Rima
A rima é um elemento estético do poema, que pode ou não estar presente, dependendo do estilo do autor.
Basicamente, a rima assemelha dois ou mais versos pelo som final, mas pode ocorrer, também, no meio dos versos, que é uma estética mais sofisticada.
Classificação quanto à fonética
– Rima perfeita ou consoante – É aquela em que há correspondência absoluta entre os sons, vogais e consoantes:Ex: decantado / amado – pertinente / atinente
Rima imperfeita – Ocorre quando a correspondência de sons é apenas parcial, podendo ser toante ou aliterante.
- Toante – Em que há repetição apenas dos sons vocálicos
Ex: impávido / dramático

 Aliterante – Em que somente as consoantes se repetem.
Ex: prata / preto
Classificação quanto ao valor:
– Rima pobre: Ocorre quando as palavras são pertencentes à mesma classe gramatical.
Ex: gato / sapato – fazendo / comendo – lista / pista

– Rima rica: Acontece quando as palavras pertencem a classes gramaticais distintas.
Ex: assombrado / alambrado – caçada / amassada
Rima rara ou preciosa: São combinações mais sofisticadas, quando as palavras são pouco utilizadas, produzindo rimas improváveis.
Ex: gargalo / desafiá-lo
Classificação quanto à acentuação
– Rima aguda – Palavras oxítonas, como: furacão e chão; ateu e comeu.
– Rima grave – Palavras paroxítonas como: medo e segredo; capela e aquarela.
Rima esdrúxula – Palavras proparoxítonas, como: ridículo e cubículo, metástase e prótese.
Classificação quanto à posição no verso
Rima externa – Quando ocorre no fim do verso.
Ex:“numa assaz sublime expressão de abandono
a canção ao fundo a embalar o teu sono”

– Rima interna – Quando ocorre no interior do verso
Ex:
“Quando a lua no céu clareia
O som da aldeia se insinua”


Classificação quanto à posição da estrofe
– Rimas alternadas ou cruzadas:
Ex:
Trecho de Morena Flor, de Castro Alves:
“Ela tem uma graça de pantera
No andar bem-comportado de menina.
No molejo em que vem sempre se espera
Que de repente ela lhe salte em cima”

– Rima emparelhada
Ex:“Naquele sábado, ao final do dia
Confiando a própria melancolia
Mais um dia que passa, diz ao vento
Remoendo no peito o desalento”

– Rimas interpoladas
Ex:
“Vendo em meu ombro recostado o teu rosto
Numa assaz sublime expressão de abandono
A canção ao fundo a embalar o teu sono
Teu corpo em sensual desaprumo disposto”
– Rimas encadeadas
Acontece quando a rima aparece no fim de um verso e no meio de outro.
Ex:
“Quando a lua no céu clareia
O som da aldeia se insinua
Quando é noite de lua cheia
Na aldeia a festa continua”
– Rimas mistas
É uma forma de combinação livre de rimas dentro da estrofe, sem uma rigidez formal.
Ex:
Trecho de Poema de Sete Faces, de Carlos Drumond de Andrade
“…Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração…”

– Versos brancos ou soltos – É quando os versos não rimam entre si
Ex:
Trecho de Poema de Sete Faces, de Carlos Drumond de Andrade
“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres…”
Tipos de poema
São reconhecidos, basicamente, três categorias de poemas:
Lírico – É um tipo de poema que declara emoções, desejos, visão de mundo. O principal sujeito é o eu lírico, a linguagem é carregada de emoção.
Épico ou narrativo – É um gênero em que o tema central é o herói, o personagem e o enredo. O poema épico conta uma história, narra um feito ou peripécias.
– Dramático – É o poema elaborado para ser dramatizado, representado em uma peça de teatro, acompanhado e instruções. É uma peça de teatro cuja fala se dá em forma de poema.